Vinhos Portugueses na Rússia

Salão de Vinhos Portugueses em Moscovo 2013No âmbito da Portugal Market Week, evento realizado de 7 a 11 de Outubro, foram organizados dois Salões de Vinhos Portugueses em Moscovo e São Petersburgo. Participação nesta iniciativa, permitiu-me reflectir sobre a presença de vinhos Portugueses na Rússia.

Do lado de Portugal a entidade encarregada da organização foi a AEP. Eu participei neste evento em representação do Portugal Wine Guide – o mais completo guia de produtores portugueses, editado em 4 idiomas: Português, Inglês, Russo e Mandarim – e em representação de um produtor de vinhos do Douro - Casa Castro Malheiro e ainda da marca de azeite Quinta do Valouto.
Durante este evento, tive oportunidade de falar com vários importadores, empresas de distribuição e restauração. Nestas conversas confirmou-se a ideia que eu tenho do mercado Russo de vinhos e que quero partilhar convosco. Mas primeiro algumas fotos da Portugal Market Week.

Salão de Vinhos Portugueses em Moscovo

No Salão de Vinhos Portugueses em Moscovo a apresentar os vinhos de Casa Castro Malheiro

 

Portugal Market Week - Salão de Vinhos Portugueses em Moscovo

Portugal Market Week – Salão de Vinhos Portugueses em Moscovo

Portugal Wine Guide a participar na Portugal Market Week

Portugal Wine Guide a participar na Portugal Market Week

Eu no Salão de Vinhos Portugueses em S.Petersburgo

Eu no Salão de Vinhos Portugueses em S.Petersburgo a apresentar os vinhos de Casa Castro Malheiro

 

Agri-Roncão no Salão de Vinhos Portugueses Rússia

Agri-Roncão no Salão de Vinhos Portugueses na Rússia

Grupo Saven no Salão de Vinhos Portugueses na Rússia

Grupo Saven no Salão de Vinhos Portugueses na Rússia

 

Mateus&Sequeira Vinhos no Salão de Vinhos Portugueses na Rússia

Mateus&Sequeira Vinhos no Salão de Vinhos Portugueses na Rússia

 

DFJ no Salão de Vinhos Portugueses na Rússia

DFJ no Salão de Vinhos Portugueses na Rússia

 

Vineves a apresentar a sua gama de azeites

Vineves a apresentar a sua gama de azeites

Voltando ao mercado Russo, sim, é um mercado grande e com a importação de vinhos crescente, mas, ao mesmo tempo, tem algumas particularidades. Quem esteve lá comigo não pôde deixar de reparar que nas prateleiras das lojas é fácil encontrar os vinhos de todas as regiões vinícolas mundiais, entretanto, com uma evidente predominância de vinhos franceses e italianos. Ao mesmo tempo, se entrarmos em grandes superfícies, encontramos muitos vinhos, produzidos nas regiões da própria Rússia e também da Ucrânia, Georgia e outros países historicamente ligados à produção de vinhos ainda na altura da União Soviética. Num segmento de gama baixa, mas em grandes quantidades.

Num dos supermercados gourmet “Globus Gourmet”, passando o olhar pelas prateleiras, reparei numa garrafa com um rótulo familiar. Era o “Duas Quintas” do Ramos Pinto. Uma garrafa entre centenas de outras. Reparei nela porque conheço o rótulo. Agora um simples exercício: quem mais repararia numa garrafa de vinho português perdida numa panóplia vinícola apresentada lá? Provavelmente, ninguem. Talvez algum português que viva em Moscovo. Mas isto será o suficiente para justificar o esforço de ter esta garrafa na prateleira? Quantas vezes por dia (semana? mês?) vem alguém perguntar: “Tem “Duas Quintas de 2009?”

Duas Quintas em Moscovo

Duas Quintas em Moscovo

Quinta do Vallado e Luís Pato em Moscovo

Quinta do Vallado e Luís Pato em Moscovo

No “Gastronom Nº 1″ no GUM a oferta é grande, abrangendo quase todas as regiões vinícolas de Portugal (Vinhos Verdes, Douro, Dão, Bairrada, Setúbal, Alentejo), mas todas pertencem a um só importador.

Vinhos Portugueses numa garrafeira no centro de Moscovo

Vinhos Portugueses numa garrafeira no centro de Moscovo

Mais vinhos portugueses na mesma garrafeira em Moscovo

Mais vinhos portugueses na mesma garrafeira

E mais vinhos portugueses na mesma garrafeira

E mais vinhos portugueses na mesma garrafeira

Nos supermercados “Tvoy Dom” (o que pode ser traduzido como “A Tua Casa”) existe também uma gama bastante alargada de vinhos portugueses de um outro importador (Vinhos Verdes, Douro, Tejo, Alentejo). Nós não visitámos estas lojas, mas sei ao certo que os nossos vinhos estão lá.

E a procura? Tirando os Vinhos do Porto e os Vinhos Verdes, quase não há. Ainda há quem se surpreende ao saber que em Portugal há vinho… Não estou a falar dos enófilos, que vêm a Portugal para visitar quintas e fazem questão de provar os vinhos de Colares, porque são diferentes! Refiro-me aos consumidores em geral, que compram vinhos para beber em casa com amigos sem ter o vinho no centro das atenções, escolhem pelo preço e cujo requisito principal é que o vinho “não seja ácido”. Este tipo de consumidor não se vai preocupar com a combinação de vinho com comida ou com os copos adequados… É o consumidor em massa e já é bom que prefere vinho à vodka. E este consumidor tem metido na cabeça os velhos axiomas do género “o vinho Francês é bom”, “o vinho Italiano é bom” ou um mais contemporâneo “um vinho Chileno é bom, é barato”. Nestes postulatos o vinho Português não tem presença.

Lembro-me de uma conversa ocasional com uma senhora que afirmava gostar de vinhos e que comprava sempre um vinho Italiano ou Espanhol. Ela confessou que nunca tinha comprado um vinho Português. “Porquê?” – perguntei eu à procura de razão. “Não sei… nunca me passou pela cabeça. Nunca pensei sequer no vinho Português”. É isso! Como as pessoas podem procurar algo em que não pensam, que não fazem ideia que existe?
Enquanto a cultura italiana ou francesa, ou até espanhola, é transversal a todos os níveis da vida quotidiana das grandes cidades Russas (moda, restauração, aquelas férias bem passadas), a cultura Portuguesa é uma incógnita… talvez um bacalhau se safe, que de um modo geral, pouco agrada os gostos Russos. Reparem bem, as pessoas na Rússia bebem “latte” (e nunca lhes passaria pela cabeça pedir, por exemplo, uma “meia-de-leite”), comem pannacotas, paellas, pastas e pizzas, mozzarellas e gorgonzolas, camembert e roquefort, porque é que eles não hão-de escolher os vinhos italianos, franceses, espanhois em detrimento dos vinhos de um país, sobre o qual têm poucas ou nenhumas referências?

E é por isto que eu estou convencida que não basta só vender um contentor de vinho português, mas juntamente com a imagem de Portugal. E aqui um produtor por si não vai conseguir chegar muito longe. É preciso apoio de organismos, organizações e associações. É preciso trabalhar o mercado seriamente e constantemente, é preciso focar nele e não o largar até as pessoas começarem a pensar nos vinhos portugueses quando vão às compras.
Não basta ir à Rússia para procurar um importador e depois limitar-se tratar das encomendas, é preciso ir à Rússia, participar nos eventos vínicos precisamente depois do vinho estar lá presente para promovê-lo, para dar o seu vinho a conhecer ao maior número de consumidores possível. Muitos dos produtores estão preocupados (e com razão) com o recebimento do dinheiro dos parceiros Russos. Esta questão, embora seja pertinente, resolve-se com o pagamento à vista ou com uma carta de crédito. O que já não se pode dizer sobre a venda dos vinhos no mercado Russo. Não é suficiente colocar o vinho à porta da adega e pensar que a partir daí toda a preocupação é do importador. Nem por isso! É preciso lembrar-se que o importador tem na sua carteira não só os seus vinhos, mas de muitos outros produtores de vários países. Ele tem todo o interesse em vendê-los todos, mas não está particularmente interessado em vender os seus vinhos! Por isto seria muito sensato por parte do produtor acompanhar o seu parceiro Russo, ajudar-lhe promover e vender os seus vinhos. E será o primeiro a beneficiar com isto. Até porque o mercado Russo é grande e ainda tem potencial de crescemento.

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